EU, ENIGMA
Não me pergunte quem sou. É complexo demais. Pergunte-me como estou. Eu sempre mudo.
Tenho a alma livre como o vento e a ânsia de nunca me saciar.A sina de sentir o vazio se não me preencher de extremos. A vida toda dada aos excessos, às paixões avassaladoras, aos sentimentos exagerados, aos dilemas mais profundos, ao barulho.
Tão sem meios termos, eu. E como o limite do limite é o avesso, há dias que me abraço ao silêncio. Um descaso que se debruça sobre tudo o que me conecta com o lado de fora e me mantém apenas presa a mim mesma. Tranquilidade mascarada de inércia. Ou vice-versa, ainda não sei. Tudo passa em câmera lenta: as lembranças, as pessoas e as minhas opiniões - sempre tão formadas acerca de tudo - começam a me questionar. E eu me calo.
Como um vulcão que decora o cume da montanha, por fora sou neve eterna. Por dentro, emoções borbulham verdades inconvenientes que querem encontrar minha boca, ávidas para sair. E então? Devastação.
Quem beija uma face é a mesma que esbofeteia a outra.
Para mim, é difícil viver - e conviver - com duas mulheres dentro de mim.
Pra você, é fácil. Só depende de qual face você decide ofertar.


