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30 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 30

"chega de luto. Agora é hora de abrir a janela e deixar o sol entrar."

Um mês.  Longos trinta dias de luto, velando memórias que assombram feito fantasmas. E hora de enterrar o passado e abrir a janela e deixar o sol entrar. A insegurança se mistura com a vontade de ver o que me espera lá fora, sinto frio na barriga quando abro meu armário e vejo os vestidos, meus calçados preferidos e meu perfume. Eu sei que a hora chegou. É hora de voltar ao doce ritual da feminilidade - e adorar cada segundo do processo. Tempo de descobrir a graça dos banhos demorados e dos hidratantes caros, daquela borrifada de perfume no pescoço nu e dos brincos pesados. Tempo das noites longas e dos sorrisos curtos, do alto estilo nas atitudes e do baixo tom da voz, sussurando futuros. É tempo de descobrir a graça de ser mulher - e ela existe em cada pedacinho meu.


Para curtir: Ana Carolina - Hoje eu tô sozinha
" Hoje eu tô sozinha
E não aceito conselho
Vou pintar minhas unhas e meu cabelo de vermelho
Hoje eu tô sozinha
Não sei se me levo ou se me acompanho
Mas é que se eu perder, eu perco sozinha
Mas é que se eu ganhar
Aí é só eu que ganho."

(Marina Melz, a boa culpa disso tudo é, em partes, sua e de Sem Aviso, da Maria Rita. Obrigada.)

29 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 29

"Nostalgia deveria ter remédio."

Quando ele deixou de estar na minha vida, eu senti por dias um imenso vazio. Um vazio que mora na superfície dos sorrisos e no fundo dos copos e insiste em me visitar - especialmente - aos domingos à noite. Nostalgia deveria ter remédio, assim como tem para dor de cabeça ou rinite; outros tipos de mal estar que também não te impedem de fazer nada, mas atrapalham tudo.
Quando a nostalgia bate à minha porta, eu fujo de mim.
É hora das conversas sem nexo, dos planos sem ação e dos livros sem história. É hora de ocupar a mente para não deixar que ela roube de mim nem um segundo de paz. Coisa difícil, essa paz. É difícil virar panqueca no ar. É difícil falar "a aranha arranha a rã" sem errar. É difícil plantar bananeira. Mas mais difícil é manter a paz de um coração quando a nostalgia decide aparecer.
É possível enganar a saudade, desviar anseios, substituir sensações. É possível usar o tempo a favor de si mesmo e ignorar os acontecimentos. Impossível é esquecê-los.


Para curtir:  Vinte e Nove - Legião Urbana

"Perdi vinte em vinte e nove amizades
por conta de uma pedra em minhas mãos.
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes,
Estou aprendendo a viver sem você."








24 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 28

"ntes de conhecer alguém, é preciso que eu me conheça um pouco mais."

Eu já não lamento a história que acabou. Ainda que a saudade me acompanhe por onde eu vá, eu sinto que o fim abre espaço para um novo começo. De agora em diante tudo pode acontecer, todos os dias me aproximam de um novo amor e eu estou ansiosa por isso. A tristeza deu espaço pra alegria de esperar o que a vida me reserva e me preparar para isto.

Não sei quem sou ou do que gosto, mas sei o que não quero pra mim. Não quero mais promessas vazias, entregas por carência, angústias de ansiedade. Não quero beijos sem amanhã, sexo sem amor e aflições baratas. Antes de conhecer alguém, é preciso que eu me conheça um pouco mais para que eu saiba diferenciar o 'quem sou' do 'quem somos'. Equilíbrio é a palavra que me guia até que seja hora de pular com os olhos fechados, sem medo. Eu sinto correr em mim a vontade de aprender a voar.



Para curtir: Michael Bublé - Haven't met you yet

I might have to wait
I'll never give up
I guess it's half time
And the other half's luck
Wherever you are
Whenever it's right
You come out of nowhere and into my life

18 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 19

"é possível amar muitas vezes mais."

O amor foi embora, e agora? Tem dias que dá medo de nunca mais amar outra vez, de nunca mais encontrar alguém assim, de sentir de novo o amor e ser feliz como se foi. Dá tanto medo.
A verdade é que é preciso ter medo daquele amor inventado, idealizado pela vontade de viver uma paixão dessas que os filmes, as novelas, as músicas e os poemas insistem em nos mostrar que existe, mas que - no dia a dia - nem sempre acabam em final feliz. A gente gosta é de olhar o lado bom, de acreditar que foi o único, o mais bonito e que nunca mais se viverá nada igual. Este - era - o amor da vida inteira. Se for fazer um balanço geral, todos os amores que passaram pela nossa história um dia já foram para sempre. Todos foram o único. Todos foram o mais verdadeiro. O amor se reinventa, se redescobre e se molda conforme a nossa coragem de vivê-lo.

Este não foi O amor da minha vida. Este foi UM amor na minha vida.

16 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 18

"estar triste e estar puta da cara são coisas diferentes"

Eu não estou triste. Eu estou puta da cara.
Todo fim passa por essa fase meio demodê de ficar lamentando o "felizes para sempre" que não veio até a tristeza abrir espaço para a raiva.
Eu sinto a ira acelerar cada litro de sangue meu, culpando-me por ter abraçado uma melancolia que não resolveu nada, não mudou nada, não reescreveu o fim da história.

Cada lágrima derramada é um sorriso não dado.
Agora é hora de sorrir.

15 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 17

Fantasmas. Assim descrevo a presença dele nos meus dias, nas minhas coisas, no meu corpo. Por que é tão difícil simplesmente aceitar o fim e esquecer?
Tenho raiva de mim a cada vez que minha memória atira resquícios dele no meu dia. Odeio-me por alimentar esse sofrimento. Detesto-me por querer que as coisas não terminassem assim.

13 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 16

"Mais do que a dor do adeus, dói a pena pela história não acabar em final feliz."

As festas vão continuar aí. Os copos vão esvaziar e se encherão outra vez. Hoje eu quero ficar sozinha, eu e a solidão. É preciso que eu aprenda a calar esse turbilhão de emoções que só se tranquiliza no barulho. Eu posso entreter a angústia com as histórias de outrém. Eu posso calar a ansiedade com bolo de chocolate. Eu posso confundir a solidão com o trabalho. Mas eu não posso fugir do meu travesseiro e de suas perguntas inconvenientes de todas as noites que eu insisto em abafar nas páginas de um livro. Mais cedo ou mais tarde, a hora de acolher o fracasso chega. Quanta força é preciso para se admitir fraco! É hora de me permitir compreender que sim, eu quis muito que desse certo, mas não deu e não é culpa de ninguém. Não tem porque rever ou imaginar fatos que poderiam ter mudado o rumo das coisas. Eu estou aqui e a diferença está no agora.
Por favor, pena, deixe que eu me despeça desse amor sem pensar mais no que poderíamos ter sido e não seremos. Esta história acabou sem o final feliz que eu queria, mas e daí? Quantas histórias ainda vão ser escritas na minha vida?

Para curtir: Anathema - Temporary Peace
"this tranquil scene is still unbroken by the rumours in the sky
but there's a storm closing in, voices crying on the wind
the serenade is growing colder breaks my soul that tries to sing
and there's so many many thoughts when I try to go to sleep...
there's a drift in and out"

12 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 15

"Sim, há amores que fazem mal."

A discorrer sobre esta tempestade de sentimentos dentro de mim e a observar tantos outros relacionamentos como o meu, posso afirmar que alguns amores são como veneno. Quando entram em nosso destino tudo é torpor, mas com o passar do tempo o brilho nos olhos muda e a vida vai deixando de pulsar dentro de nós. Sem que se perceba exatamente quando e nem como, o amor passa a nos matar devagar. Quantas pessoas eu vejo morrendo de amor!
Quando um sentimento adoece – e quisera eu compreender os motivos – ele se espalha silencioso, dilacerando o entusiasmo e destruindo quem somos. Quando a gente percebe, é sempre tarde demais. Há amores que fazem mal. As pessoas acham nobre sofrer por amor... quanto mais dolorido, mais bonito. Que mania estúpida de sermos mártires!

O coração sempre sabe quando está doente, a gente é que se engana. Ficamos arrumando desculpas pra nós mesmos pra acreditar que isso não é doença e sim cura, que tudo não passa de uma fase ruim e que logo as coisas voltarão a ser como antes. Nada muda. Qual o remédio para isso, se não uma injeção de coragem?

Para curtir: James Morrison - The pieces don't fit anymore
"It's time to surrender,
It's been to long pretending.
Theres no use in trying,
When the pieces don't fit anymore"

10 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 14

"Todo rio tem duas margens até virar mar."

Evitar buscar uma pessoa em pensamento durante todo um dia tem efeito parecido com o de segurar a mangueira pra água não sair: quando vem, vem com força.
É verdade que não ter aquela típica sensação de apego faz as horas serem mais tranquilas e as gargalhadas mais plenas - você consegue se concentrar; o que é quase um luxo pra quem passa por essa situação.
Mas quando a noite caiu e todo o dia passou diante dos meus olhos, foi a culpa que se acomodou sob meu edredon. Ela que veio me lembrar dos erros que cometi, das palavras que não deveriam ser ditas e dos impulsos que não foram contidos. Curpiu-me na cara meus defeitos e minhas falhas, lembrando-me que a verdade tem dois lados.
Todo rio tem duas margens até virar mar.
Então depois de dias pensando só em mim, eu me perguntei: "e ele?". E ele, meu Deus, ele que secou tantas outras lágrimas até me presentear com estas, como estará? Qual será a sua versão pra essa história? Será que ainda chora? Que sente raiva? Será que quebrou o porta retrato e queimou minha camiseta? Curou-se da gripe e coloriu a tatuagem? Pagou o seguro do carro e comprou as taças novas? Eu não sei. Quatorze dias depois, nada mais sei de quem eu julguei não conseguir viver sem. Ah, o amor é tão blasè: num dia, tudo; no outro, nada.

Eu ainda me importo.


Para curtir: Jonny Lang - Walking Away
"The things that mattered
Were broken and shattered One by one
There's just one more thing That I want to say
I truly loved you But now I'm walking away
I put no one above you."

9 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - Dia 13

"não pense mais nisso que passa."

Só por hoje não quero pensar nesse assunto.
Se estamos em busca de uma fórmula para curar coração partido, é preciso que a gente tenha a coragem de experimentar toda as hipóteses.

Amanhã conto como foi a experiência, ok?


Para curtir: Depeche Mode - Enjoy the silence
"All I ever wanted
All I ever needed is here in my arms
Words are very unnecessary
they could only do harm."

60 DIAS SEM ELE - DIA 12

"O poder da alquimia sentimental."

O tempo é cruel. Mesmo que você não queira, ele te ensina a esperar.
Houve um tempo em que terminar um relacionamento era tão mais fácil! O tempo em que brigadeiro de panela e colo da melhor amiga combinavam com lágrimas infinitas e páginas de diário. O dia seguinte era o bálsamo.
Mas agora a tristeza se consome em prestação. O dia-a-dia nos rouba até o luto. É preciso esconder as lágrimas atrás de um sorriso vazio e deixar que elas fiquem ali, evaporando com o passar das semanas. Enquanto o trabalho e os amigos me distraem, as lembranças vão morrendo e eu vou substituindo emoções dentro de mim. Há tempos um certo alguém me disse: "Pratique a alquimia emocional".
É difícil, mas aos poucos vem se tornando hábito.
Para cada pensamento de vazio, um de possibilidades.
Para cada lembrança, uma nova meta.
E assim, todas as vezes que eu vou a algum lugar que me lembre de nós dois, eu anulo a memória. É como se naquele momento, por estar lá em outra circunstância, eu criasse uma nova lembrança e assim não precisasse mais associar à ele.
Ainda não entendi se estou subtituindo sentimentos ou acumulando-os.
Mas enquanto isso:
Alquimia emocional, Camila.
Alquimia emocional, leitor.
Alquimia emocional, coração.

Para curtir: James Morrison - One last chance
"The time has come for me to change again
Just give me the time and space to heal my head
I've got one last chance to get myself together
I can't lose no more time it's now or never."

8 de nov. de 2010

60DIAS SEM ELE - DIA 11

"Amigos, amigos; namoros à parte. E os amigos dos amigos também."

Quando você acaba de ficar solteira, o mundo decide que já é hora de namorar de novo. Você mal consegue respirar sem lembrar do ex e já querem que você se abra pro amor novamente. "Tenho um amigo para te apresentar" está entre as frases que mais ouvi nos últimos 11 dias.
Um amor se cura com outro?
Discordo. Primeiro é preciso transformar saudade em nostalgia, apego em carência, ferida em cicatriz. Quando meu coração se partiu, ele deixou vazar todos os meus sentimentos e isso fez a maior bagunça aqui dentro. Igualzinho como acontece quando uma taça de vinho se rompe e suja pratos e talheres sobre a mesa: você sabe que não adianta só mudar a toalha.
Eu me nego a beijar uma boca e frustrar-me ao abrir meus olhos. Não é justo comigo e muito menos com quem abre os olhos e vê só a mim. Se é para me entregar, que seja por completo. É preciso que eu recolha meus pedaços. Amor é um presente e ninguém gosta de receber cacos.


Para curtir: Metade - Adriana Calcanhoto
"Eu perco as chaves de casa
eu perco o freio
estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio."


(Mas é bom conhecer amigos, amigos dos amigos, amigos dos amigos dos amigos. Network, eu gosto disso.)

60 DIAS SEM ELE - DIA 10

"Amigos, amigos, namoros à parte."

Foi a vida que se abriu pra mim ou eu que me abri pra vida?
Tantos amigos que estavam distantes voltaram à minha porta. A ironia de tudo isso foi quando comentei: "Meus amigos voltaram pra mim" e ouvi: "Não, foi você quem voltou pra eles".

Amigos, amigos, namoros à parte.
Eles têm razão, quem se afastou fui eu.
Eu quem neguei os convites. Quem estive distante. Quem falou mais do que ouviu.
Embora a vergonha tente me calar, a verdade é que ao encontrar o amor eu achei que nada mais pudesse me completar. Passei a alimentar os meus dias só com os olhos brilhantes, as borboletas no estômago e as promessas de felicidade eterna, e isso - só isso - passou a ter graça pra mim. Eu deixei de desfrutar o que eu tinha para mendigar o que eu ansiava.
Eu errei, mas mesmo assim todos abriram os braços pra me perdoar.
Equilíbrio foi lição que relembrei. Humildade, a que eu nunca mais quero esquecer.


Para curtir: Train - Save me San Francisco
I've been high
I've been low
I've been yes and - oh hell - I've been no
I've rock 'b roll and disco
won't you save me?"

5 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 9

"voltar a ser solteira dá preguiiiiça!"

Definitivamente, o amor nos tira os pés do chão. E eu confesso - voltar a pisar em terra firme é um processo chato e dolorido; dá calos até a pele se acostumar ao atrito novamente. Voltar do mundo dos sonhos a dois e descobrir que se é livre para realizar sozinho é assustador. Quando se está acostumado a pedir opinião até sobre qual roupa vestir, encarar o dia-a-dia novamente dá medo, sim. A liberdade é cansativa quando você desacostuma a pensar no singular.
Os finais de semana, por exemplo, são tão desafiadores quando é preciso recomeçar uma vida social! Quando tudo o que se queria até então era um carinho gostoso e um bom papo madrugada adentro com quem você pode se despir de qualquer segredo, vestir a máscara do social exige um esforço tremendo. Voltar à ser solteira dá preguiça, convenhamos - e deve ser por isso que tem tanto casal empurrando o namoro com a barriga - mas é preciso. Mais cedo ou mais tarde todos temos que encarar que o desconhecido está nos convidando a viver. Vamos?


Para curtir: Pearl Jam - Alive

"Is something wrong, she said
Well of course there is
You're still alive, she said
Oh, and do I deserve to be
Is that the question
And if so...if so...who answers...who answers...
I, oh, I'm still alive."

4 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 8




“Quando e onde tudo deixou de ser um conto de fadas?”

Embora eu venha desviando meus pensamentos para um monte de coisas boas – e posso garantir – elas existem mesmo depois da maior desilusão da sua vida, hoje o dia me levou a fazer aquele balanço da relação.
Mesmo que eu evite o passado , a nostalgia convidou-me a viajar nas experiências que vivenciamos juntos. Acabei questionando-me se, ao despedir-me, ele continuava sendo a mesma pessoa que eu conheci. Em horas como esta, parece que amei duas pessoas diferentes.
Aquele homem que, ao acordar, sorria e dizia que o dia seria feliz só por estar ao meu lado não pode ser o mesmo que dormia sem me dar boa noite para prolongar os climas ruins. Então eu lembro dos momentos lindos que vivemos e isso me dói tanto, sinto um vazio absurdo por não entender em que ponto ele deixou de ser meu príncipe encantado para tornar-se uma lembrança triste. Quando? Por que motivo? Foi algo que eu falei ou algo que deixei de falar? Algo que fiz ou o que deixei de fazer?
Onde está agora a pessoa que eu amei (e sim, ainda amo)? Será que ele ainda existe em algum lugar que não seja só aqui, dentro de mim?


Para curtir: Silverchair: Miss you Love

“I Love the way you Love
But I hate the way
I’m supposed to love you back”

3 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 7

"quem sou eu, afinal?"

Às vezes me pego falando as gírias do vocabulário dele. Escutando suas músicas. Lendo seus livros. Sonhando seus sonhos.
Às vezes me calo quando deveria falar, guardo tristezas que deveria dividir, fecho a porta para o mundo e me convenço que eu gosto da solidão; exatamente como ele faz.
Às vezes eu sou mais ele do que eu. Nos gestos, nas expressões, nos pensamentos... é como se eu mal lembrasse como é ser eu.

Existe uma vaga lembrança de como era bom deixar-me levar pela esperança de uma vida simples, abrir os braços e sentir o vento levar embora minhas preocupações, sorrir com convicção e adormecer com tranquilidade.

Às vezes sinto saudades dele.
Todos os dias sinto saudades de mim.



Para curtir: Ari Hest - When and if

"They say I'm here to fight their cause
And that I could die trying
The same life I was living well before
I'm taking back soon as I open that door.
Lord, will I live to see that day?"

2 de nov. de 2010

60 DIAS SEM ELE - DIA 6

"ele está em tudo o que vejo, até quando fecho meus olhos"

É estranho como o coração se acostuma a dividir a alegria com quem a gente gosta. Todos os lugares bonitos que eu vi, eu pensei se ele também gostaria de vê-los. As coisas diferentes que comi, pensei se também agradariam ao seu paladar. Cada esquina escondia presença dele, impondo a vontade de contar como foi meu dia. Tive vontade de compartilhar tudo: do meu primeiro pensamento ao último suspiro antes de adormecer, eu pensei em como as coisas seriam se ele estivesse ali ou como eu gostaria de descrever cada experiência que vivi. Engraçado como o cérebro - ou o coração? - não entende que a pessoa não faz mais parte da sua vida.
Não há porque olhar para os presentes que combinam com ele.
Não há porque separar os lugares em "aqui ele iria gostar, aqui não".
Não há porque pensar "isso é a cara dele" e tampouco "o que ele acharia disto?"
Estranho esse instinto de buscar a pessoa em todos os detalhes.
Se ele esteve em todos os lugares, onde foi que eu me escondi de mim?


Chorei sentada no píer, pedindo para que o mar leve embora os fantasmas desse amor. Nessa hora apareceu um andarilho que me disse: "Não chores por amor, chores com amor. Amor faz a gente se banhar de alegria, não escorrer em tristezas."


Para curtir: Legião Urbana - Vento no Litoral
"Já que você não está aqui
O que posso fazer é cuidar de mim
quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?"